terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Cantata de Natal

Cantata de Natal

Coro Ibab no Natal 2014

                  Estrela, Belém, manjedoura, Emanuel. A semântica se repete ano após ano nas vozes harmoniosas dos que cantam uma história tão conhecida. Não são poucas as vozes, pois os anjos costumam juntar-se a nós. Ou, seguindo a ordem dos fatos, nós nos juntamos a eles ao constatar e recontar sobre o nascimento do bebê. As melodias também se repetem, o que permite a quem as ouve cantarolar em algum momento. É um canto conhecido, você também já deve ter ouvido: Hosana nas alturas!
                  Não se sabe, de fato, se a data é precisa. Parece que foi escolhida por alguém. Não importa. Escolheram bem o dia da lembrança. Acho 25 de dezembro o dia mais bonito do ano. Deve ser pela quantidade  de tempo da minha vida que festejo a data especial. Nem me lembro quem me contou pela primeira vez sobre o nascimento do menino. O que me lembro, com certeza, é que durante toda a vida, ouvi, contei, cantei e recontei sobre o  Messias. Teatro, dança, fantoche, leitura, testemunho dos meus pais, meus avós, meus amigos. Diversas foram as maneiras de contar sobre o Emanuel, na manjedoura, em Belém, onde uma estrela no alto brilhava.
                 Brilha também, na avenida Paulista, o berço capital da cidade. Natal também é festa comercial, vitrines iluminadas, compras enlouquecidas. Encontros e saudade. Há quem não se lembre do Cristo, mas gosta da reunião de família. E até do Papai Noel. A fantasia do “Bom” Velhinho (quem é bom?) fortalece a tradição dos presentes e povoa a imaginação das crianças. Eu também já lhe escrevi muitas cartas e não me incomoda esse personagem. É tão inofensivo quanto o Lobo Mau. Ajuda a desenvolver a imaginação na infância e o pensamento abstrato quando nos tornamos adultos. Não brilha mais que a Estrela da manhã.
                 Desde  2005, conto o Natal cantando a Jesus. São meses de preparação, encontros, ensaios, ajustes, amizades, comunhão. Não é a voz do solista a mais importante. É o encontro de todas as vozes. Ouvimos a música em grupos separados. No meu caso, com os contraltos. Estudamos individualmente letra e melodia, nos juntamos ao nosso naipe e acertamos cada detalhe. Nessa fase, às vezes, a canção soa estranha. Principalmente para o contralto que parece cantar na contramão dos outros. Então se reúne todo o coro e a música vai se formando, as notas vão se harmonizando e vai surgindo um som maravilhoso de tanta gente diferente que, junta, constrói um todo comum tão agradável de ouvir.
                 Lembro-me de como fazíamos isso sem Internet na igreja onde cresci. Escutávamos pouco a pouco as canções e, contando um com o ouvido mais afinado do outro, tentávamos chegar o mais perto possível da melodia do CD. Espalhávamos os naipes nas casas próximas à igreja para ensaiar. Hoje a tecnologia nos ajuda bastante. Ainda assim, é bem trabalhoso chegar aonde queremos quando começamos a ensaiar uma cantata.
                 Gosto dessa união que cantar em coro nos permite. É preciso tolerar as diferenças, dar a mão a quem vai mais devagar, esperar o comando do maestro, silenciar quando dá vontade de conversar. A cantata para mim é metáfora de tantas coisas que, em unidade, podemos produzir. Nós seres humanos somos maravilhosos quando anulamos o ego e nos juntamos em favor do bem comum. A cantata pra mim é lembrança dos bons momentos que passei com meus irmãos e amigos do  Avivamento Bíblico, ralando pra produzir um musical. É a recordação das festas na casa da minha avó. É a felicidade de voltar a participar de um coro, desta vez tão grande!
                 No último domingo, quanta gente que eu conheço se reuniu para contar e cantar sobre a Esperança que nasce no Natal! Por que repetir a semântica e as melodias todos os anos? C.S. Lewis nos diz que é para formar o hábito da fé. (...) Temos que nos recordar continuamente das coisas em que acreditamos.
                 Quando eu canto, toda a história que conheço sobre Jesus se passa na minha cabeça a cada canção. Tudo o que Ele representa, tudo o que Ele é para mim. Tudo o que eu ainda nem sei que Ele é para mim. As lembranças do que vivi retornam ao meu coração. Eu canto para Jesus, porque um dia a fantasia do natal se separou da fé. Em meio às minhas lembranças e práticas religiosas, meus olhos se abriram e eu vi bem alto uma Estrela brilhando me indicando que em Belém havia, numa manjedoura, um menino chamado Emanuel.  Deus conosco agora é Deus comigo também. Este é o natal de Jesus! E como disse o pastor Ed René no domingo, o mais espantoso do natal não é saber que o menino é Deus, mas saber que Deus é o menino.


Coral Avivamento Bíblico Jaraguá 

Aquecimento antes da apresentação da manhã



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